A Versatilidade do Acesulfame-K
Rafael Mattos - 28/01/2008 18:49
Nutricionista do Centro de Pós-graduação da Santa Casa de Belo
Hoizonte
A descoberta do acesulfame-K por
Karl Clauss e H. Jensen, da Companhia Hoechst, em 1967, na Alemanha, ocorreu
acidentalmente quando os pesquisadores trabalhavam no desenvolvimento de novos
produtos e descobriram um composto de gosto doce, não sintetizado anteriormente.
O nome inicial era “acetosulfam” e, em 1978, a OMS
registrou o nome genérico “acesulfame potassium salt”,
sendo que, atualmente, foi abreviado para acesulfame-K.
Propriedades e Aplicações
O acesulfame mostra
excelente estabilidade nas seguintes condições tanto na forma seca, após
armazenamento prolongado, resistindo também a temperaturas elevadas e pH baixo e
em contato com outros ingredientes ou constituintes dos alimentos.
O
acessulfame não é higroscópico e é rapidamente solúvel em água. Não é
cariogênico, podendo mesmo ser anticariogênico. A doçura do acesulfame é
rapidamente perceptível, com decréscimo lento, mas não persistente, porém, de
duração ligeiramente superior à da sacarose.
O perfil
de doçura é semelhante ao da glicose. Em soluções aquosas
altamente concentradas, alguns indivíduos são capazes de perceber gosto amargo
ou químico sintético, mas tais concentrações não são normalmente utilizadas nos
sistemas alimentícios.
 É cerca de 180 vezes mais doce que soluções de
sacarose a 3-4%. Como ocorre com outros
edulcorantes, a intensidade de doçura não aumenta
proporcionalmente ao aumento da concentração. O grau de doçura do acesulfame-K é
semelhante ao do aspartame, aproximadamente metade do da
sacarina e quatro vezes superior ao do
ciclamato.
Em bebidas quentes a doçura de edulcorantes
intensos é normalmente menor que à temperatura ambiente, mas este efeito não é
observado com o acesulfame. Apesar do acesulfame ter custo
substancialmente maior do que o da sacarina, é muito utilizado como seu
substituto em mistura com o aspartame em muitas formulações. Esta substituição
melhora o sabor do produto e confere maior estabilidade do que o aspartame
isoladamente.

O potencial de uso deste edulcorante é
ilimitado. Pode ser usado como adoçante de mesa, em bebidas
semidoces e em bebidas carbonatadas associado a outros edulcorantes, para
conferir estabilidade e qualidade de doçura.
Devido à sua estabilidade à
pasteurização, o acesulfame é indicado para produtos lácteos e em enlatados. O
acesulfame é muito usado na fabricação de caramelos duros e macios, sobremesas,
sorvetes, geléias, gomas de mascar e conservas de frutas. Pode ser utilizado em
produtos para higiene oral e em
medicamentos.
Metabolismo e
Segurança
 Não é metabolizado pelo homem e nem por animais e,
embora rapidamente absorvido, 99% da dose é eliminada inalterada em 24 horas,
principalmente pela urina. Considerando-se que cada vez mais a
avaliação toxicológica de edulcorantes artificiais tem um papel crucial na sua
aprovação e subseqüente uso, inúmeros ensaios toxicológicos foram conduzidos com
o acesulfame.
Mais de 90 estudos internacionais, realizados durante 15
anos, comprovaram que o acesulfame não apresenta efeitos tóxicos. Foi aprovado
pela FDA, em 1988, como adoçante de mesa e, em 1998, como
adoçante para bebidas. Em 2003 foi aprovado para uso geral em
alimentos.
A IDA recomendada pela FDA é de 15 mg/Kg de peso,
correspondente, para um adulto de 60 Kg, à doçura de 180g de açúcar, o que
representa o dobro do consumo médio diários de açúcar. Um bom
exemplo para se atingir a dose máxima permitida de acesulfame-K para um mesmo
indivíduo de 60 kg seria o consumo de aproximadamente 6 litros de um
refrigerante zero, representando um consumo exagerado e
desaconselhado.

A Força Edulcorante da Sacarina
Rafael Mattos - 25/12/2007 12:55
Nutricionista do Centro de Pós–graduação da Santa Casa de Belo
Horizonte
 Descoberta em 1879, a sacarina foi, inicialmente,
utilizada como anti-séptico e como conservante de alimentos e vem sendo
comercializada como edulcorante desde 1900. Sua incorporação em alimentos
aumentou, significativamente, durante as duas Guerras Mundiais em decorrência da
escassez e do racionamento de açúcar.
Propriedades e
Aplicações
A sacarina apresenta uma série de características que
a tornam muito próximas do adoçante ideal: alto poder edulcorante (200 a 700
vezes superior ao da sacarose), alta estabilidade e alta solubilidade em água,
não higroscópica, não cariogênica e poder calórico nulo.
 A sacarina mostra sinergismo com vários
edulcorantes intensos, no entanto este efeito é muito pouco
acentuado com acesulfame ou esteviosideio. O perfil de doçura da
sacarina é diferente daquele da sacarose, pois produz um impacto
edulcorante bastante lento que vai crescendo gradativamente até atingir
intensidade máxima e persistente.
Gostos amargos ou metálicos e adstringentes estão associados ao dulçor da
sacarina e tendem a intensificar-se com o aumento da concentração. Nos países
onde é permitido o uso de ciclamato, associação de sacarina e ciclamato mascara
o sabor residual da sacarina ao mesmo tempo em que eleva o poder adoçante do
ciclamato. Devido à sua estabilidade térmica a sacarina pode ser utilizada em
produtos assados, temperos para saladas, geléias, gelatinas, bebidas
carbonatadas, preparados para refresco, enlatados e outros produtos.
É o edulcorante com melhor relação custo/poder
edulcorante. A versatilidade da sacarina permite seu emprego em muitos
alimentos, medicamentos e cosméticos em função da sua alta estabilidade ao
armazenamento e aquecimento, por se combinar bem com outros edulcorantes e por
se incorporar facilmente a misturas líquidas ou secas. Em produtos não
alimentícios tem sido o edulcorante de escolha para pasta de dentes e outros
produtos de higiene oral e pessoal.
Metabolismo e
Segurança
 Cerca de 80% da sacarina ingerida por via oral é
absorvida e excretada inalterada ou como ácido 2-sulfamoilbenzóico. A sacarina
apresenta rápida e completa eliminação renal e absorção lenta e incompleta sendo
que a dose recuperada nas fezes humanas pode ser de 1 a 9%. Doses administradas
oralmente são em grande parte eliminadas nas primeiras vinte e quatro horas,
ficando uma quantidade significativa de cerca de 5 a 10% para ser excretada após
este prazo.
O mais antigo dos edulcorantes artificiais é também aquele que, nos últimos
50 anos, tem estado sujeito a constantes críticas, baseadas em um passado no
curso do qual foi considerado responsável pelo desenvolvimento de câncer na
bexiga de ratos. A sacarina foi objeto de estudo de mais de 30 trabalhos com
humanos. No ano de 2000, o Programa Nacional de Toxicologia determinou, com base
nos estudos disponíveis, que a sacarina não era um agente em potencial na
etiologia do câncer, em vista do que a FDA liberou o produto para consumo geral
em 2001.
Estão disponíveis no mercado brasileiro um número muito grande de
adoçantes, contendo concentrações variáveis do edulcorante sacarina, sob a forma
de gotas, comprimidos ou pó. A concentração de sacarina nos produtos disponíveis
na forma de gotas varia de 50 a 83 mg/ml, o que permitiria a ingestão diária
máxima de 5,0 mg/Kg de peso corpóreo ou duas gotas/Kg de peso corpóreo para os
produtos mais diluídos e uma gota/Kg para os mais diluídos. Para os produtos na
forma sólida, o consumo máximo diário não deve ultrapassar a um envelope para
cada 4 Kg de peso ou um comprimido a cada 1,5Kg de peso corpóreo. De forma
prática, para uma pessoa de 70Kg atingir a dose máxima recomendada por dia, ela
teria que ingerir 3 vidros e meio de adoçante por dia, o que equivaleria
aproximadamente a 125 gotas por quilo de peso/dia.

Sucralose: O Mais Estável dos Edulcorantes
Rafael Mattos - 03/03/2008 23:42
Nutricionista do Centro de Pós-graduação e Pesquisa da Santa Casa
de Belo Horizonte.
A sucralose foi desenvolvida em
1976 por pesquisadores da Tate & Lyle Specialty Sweeteners (Inglaterra),
empresa líder mundial em edulcorantes e a maior refinaria independente de açúcar
do mundo. Existem vários relatos de que o sabor doce da sucralose foi descoberto
quando um estudante não entendeu corretamente uma solicitação para testar o
composto.
Propriedades
Sua doçura pode variar de 400 a 800 vezes em relação à sacarose
e duas vezes a da sacarina. Os valores de doçura relativa para
sucralose, assim como para os outros edulcorantes, dependente
muito do sistema (pH, temperatura, concentração) e pode variar quando em
diferentes produtos alimentícios ou bebidas.
Efeito sinérgico foi observado entre sucralose e ciclamato e
acesulfame-K, mas esta sinergia não ocorre, ou é muito
discreta entre sucralose e sacarina e aspartame. Seu perfil
tempo-intensidade é de elevada qualidade muito semelhante ao da
sacarose e aspartame. A doçura é de
percepção rápida, persistindo por um
período ligeiramente maior do que a sacarose. Não possui
residual amargo ou metálico. Mostra alta solubilidade em
água, além de alta estabilidade térmica, em meio
aquoso e ácido, assim como ao armazenamento. Entre os
edulcorantes intensos, a sucralose é o mais estável.
Não é cariogênica e reduz a produção
de ácido a partir da sacarose, tendo assim, ação
cariostática. Um ponto positivo para sua
comercialização é o fato de ser obtido do
açúcar comum.
Aplicações
É um
edulcorante muito versátil, podendo ser ultilizado em bebidas carbonatadas,
bebidas em pó e as prontas para beber, xaropes de chocolate, geléias e frutas em
conserva, pudim instantâneo, gomas de mascar, molhos para saladas, iogurte
natural e de fruta, leite aromatizado, produtos assados, sobremesas congeladas,
balas e, claro, como adoçante de mesa.
Metabolismo e
Segurança
Trata-se de um edulcorante não calórico, pois suas
ligações carbono-cloro são estáveis e
não são hidrolisadas durante a digestão ou
metabolismo sendo rápida e totalmente excretada sem
alteração pelas fezes. Não apresenta efeito sobre
a utilização da glicose sobre as enzimas envolvidas na
regulação do metabolismo de carboidratos.
Durante quinze anos foram
realizados mais de 140 estudos para demonstrar a segurança da
sucralose. Os estudos foram realizados em animais e humanos, em
quantidades bem superiores aos níveis esperados para o consumo humano. As
conclusões dos estudos foram que a sucralose não tem efeitos
teratogênicos ou mutagênicos,
não apresentando, portanto, toxicidade na
reprodução e ao feto. Administração a
crianças não causa riscos à saúde nem
interfere no crescimento normal. Sendo assim, em 1990, o JECFA
(comitê especializado em aditivos alimentares do FDA) estabeleceu
uma IDA de 15 mg/Kg de peso corpóreo.

Stévia: um Edulcorante Natural
Rafael Mattos - 04/04/2008 16:33
Nutricionista do Centro de Pós-graduaçãoo da Santa Casa de Belo
Horizonte
A Stévia rebaudiana é uma planta
perene, nativa do Paraguai. Os índios guaranis chamavam-na de “erva doce”
(Kaá-hê-hê ou Caa-che). Os princípios doces da planta são utilizados há mais
tempo do que qualquer outro adoçante, exceto o mel.
Em 1900, o químico paraguaio Ovídio Rebaudi estudou as principais
características desta planta. Este pesquisador isolou um princípio amargo com
características de aperitivo digestivo e um princípio extremamente doce. Em
1912, foi atribuído o nome de “Stevioside” ao princípio adoçante. Em 1918 foi
demonstrado que o produto era 180 vezes mais doce que a sacarose.
A partir de 1970, a stévia foi levada ao Japão, onde foi exaustivamente
estudada sob o aspecto químico, toxicológico, de desenvolvimento de processos de
extração e produção de derivados.
Propriedades e
Aplicações
O esteviosídeo é até 300 vezes mais
doce que a sacarose. Apresenta sinergismo associado a aspartame, acesulfame-K e
ciclamato, mas não com sacarina.
O perfil de sabor do esteviosídeo
é semelhante ao da sacarose, contudo é mais persistente e mostra sabor
residual amargo de mentol, que diminui com o aumento da pureza.
Alguns autores detectaram ainda a existência de sabor residual metálico,
como o da sacarina e do acesulfame-K e de alcaçuz. Para melhorar a qualidade do
sabor pode ser associado a outros adoçantes naturais ou
artificiais como: sacarose, frutose, glicose, lactose, maltose,
sorbitol, manitol, xilitol, aspartame, ciclamato ou sacarina. Recentemente os
estudos têm se direcionado para minimizar o amargor destes edulcorantes através
do desenvolvimento de novas linhagens da planta e do aperfeiçoamento dos métodos
de extração.
Possui baixa solubilidade em água, excelente estabilidade em sólidos e
líquidos, resistência ao calor, além de modificar e realçar sabores e aromas e
contribuir para diminuição da adstringência. Devido ao fato do esteviosídeo não
ser fermentescível, não causa ou contribui com cárie dentária.
O esteviosídeo tem uso proposto em refrigerantes, pós para
refrescos, café e mate, sorvetes, gomas de mascar, balas, iogurtes, chocolates,
produtos de panificação, conservas, molhos, cosméticos, medicamentos, como
aditivo em conserva de peixe e em condimentos (Japão), e como modificador de
aromas.
Metabolismo e Segurança
 Não é metabolizável nem calórico, pois, ingerido
oralmente, é quase totalmente absorvido pelo trato gastrointestinal alto e
eliminado sem alterações pela urina. Caso uma pequena parte passe para o trato
gastrointestinal baixo e seja transformado em esteviol, este é absorvido,
circula pelo sistema porta do fígado, é eliminado pelas vias biliares e
excretados nas fezes.
Apesar do esteviol ter sido considerado mutagênico
em ratos, não há conhecimento de enzimas do sistema digestivo humano que sejam
capazes de degradar esteviosídeo em esteviol e glicose. Alguns autores afirmam
que o valor calórico do esteviosídeo não está definido, mas sabe-se que é
superior a zero Kcal/g. Como os outros edulcorantes, o esteviosídeo foi estudado
sob vários aspectos para assegurar a inocuidade para o consumo humano. A IDA
estabelecida foi de 5,5 mg/ Kg de peso.

Aspartame
Rafael Mattos - 25/11/2007 19:47
Nutricionista do Centro de Pós-graduação da Santa Casa de Belo
Horizonte
 O primeiro adoçante utilizado na história, por
culturas antigas da Grécia e China, foi o mel. Posteriormente, foi descoberta a
sacarose, açúcar comum, originalmente obtido da cana de açúcar. Durante a I
Guerra Mundial, o açúcar da beterraba era a maior fonte de sacarose.
O primeiro adoçante artificial foi a sacarina, sintetizada em 1879. Ela foi
bastante utilizada durante a I e II Guerras Mundiais, pelo seu baixo custo de
fabricação e pelo escasso acesso ao açúcar comum. Quando a economia mundial se
recuperou, e os padrões populacionais de vida aumentaram, o açúcar voltou com
toda força, a obesidade aumentou na população ocidental e a razão para se usar a
sacarina deixou de ser devido o baixo custo, passando a ser mais importante a
menor ingestão calórica.
A principal razão para substituição da sacarose é a expansão da
disponibilidade de alimentos e bebidas para situação de restrição calórica ou de
carboidratos, quer no sentido de controle de peso, diabetes ou prevenção de
cáries.
A Descoberta
A descoberta do aspartame, assim como a da grande maioria
dos edulcorantes, foi acidental. Nos anos 60, um dos projetos da G.D. Searle and
Company, era encontrar um inibidor para gastrina, produto utilizado no
tratamento de úlcera. O tetrapeptídeo terminal da gastrina (Trp-Met-Asp-Phe-NH2
) foi empregado como padrão para ensaio biológico e o aspartame (Asp-Phe-O-Met)
foi o intermediário na síntese.
Em 1965, o pesquisador James M. Schatter aquecia o composto em um frasco
contendo metanol quando a mistura espirrou para fora do frasco e caiu-lhe nos
dedos. Minutos após, levando o dedo à boca para folhear um livro sentiu um sabor
extremamente doce, descobrindo o fortíssimo poder edulcorante do
aspartame.
O aspartame é o éster metílico de dois aminoácidos, a fenilalanina e o
ácido glutâmico, ou seja, éster metílico de L-aspartil-L-fenilalanina.
Sabor do Açúcar
 O perfil de doçura é o que mais se aproxima ao da
sacarose, apesar de desenvolver-se mais lentamente e persistir por mais tempo.
Não deixa qualquer sabor residual amargo, químico ou metálico, freqüentemente
associados aos demais edulcorantes e sua doçura é 120 a 220 vezes superior à da
sacarose. Geralmente é mais potente em baixas concentrações e em produtos à
temperatura ambiente do que em produtos congelados ou quentes.
Devido ao seu alto poder adoçante, são necessárias quantidades
mínimas para produzir a doçura desejada,
reduzindo a ingestão calórica. Seu valor calórico
é 4 Kcal/g, ou seja, igual ao do açúcar, no
entanto o valor calórico, considerando a seu poder
adoçante, é de aproximadamente 0,02 Kcal/g, o que
determina uma contribuição energética
desprezível em relação à doçura.
O aspartame apresenta algumas restrições quanto a sua
estabilidade. É estável em sistemas líquidos acidificados, mas perde seu dulçor
em pH neutro, alcalino ou temperaturas elevadas.
O efeito sinérgico é
observado na combinação de aspartame com vários dos carboidratos ou dos
edulcorantes intensos. A mistura aspartame/acessulfame-K - na proporção de 1:1 -
aumenta o poder adoçante do aspartame, podendo atingir, dependendo do tipo de
alimento em que é aplicado, valores de 3 a 6 vezes superiores que quando
utilizados individualmente.
Metabolismo e
Segurança
Após sua ingestão o aspartame é rapidamente
hidrolisado no intestino ao dipeptídio L-aspartil-L-fenilalanina e a metanol. O
dipeptídeo é metabolisado nas células da mucosa em seus aminoácidos
constituintes: ácido aspártico e fenilalanina.
O aspartame foi intensamente
estudado e passou por testes detalhados e exames minuciosos para sua aprovação
para uso comercial.
O processo de aprovação do aspartame nos Estados Unidos iniciou em 1973,
sendo liberado pela FDA em 1974. Os dados foram na época contestados,
sugerindo-se risco de danos cerebrais e de disfunções endócrinas. Sua
comercialização foi suspensa até que em 1978 uma auditoria validou os dados de
segurança.
Em 1979, foi formado um comitê por cientistas para responder a algumas
questões:
- Se a ingestão do aspartame sozinho ou com glutamato poderia provocar danos
cerebrais ou de sistemas neuroendócrinos;
- Se causaria neoplasias em ratos e quais seriam os requisitos para o rótulo
caso o produto fosse aprovado. Após revisão o comitê não encontrou evidências de
toxicidade.
Foram 112 estudos metabólicos, farmacológicos e toxicológicos em diferentes
espécies de animais e em humanos. Por ser metabolizado no trato gastrointestinal
em ácido aspártico, fenilalanina e metanol, os estudos de metabolismo e
toxicidade deveriam considerar a presença destes três compostos. Os estudos
foram relacionados à presença do metanol e, especialmente, da
fenilalanina.
Cada um dos três constituintes, quando ingeridos separadamente em
quantidades muito elevadas, produzem efeitos químicos e funcionais no sistema
nervoso central. O metanol é uma toxina potente causadora de acidose metabólica
e cegueira quando consumido em excesso.
Cerca de 10% em peso do aspartame é absorvido para a circulação como
metanol, no entanto, não é detectável mesmo em doses de 34 mg de aspartame/Kg de
peso corpóreo. As quantidades destes metabólitos são muito pequenas quando
comparadas às obtidas da dieta normal (carnes ou outros alimentos
protéicos).
Um copo de leite apresenta seis vezes mais fenilalanina e 13 vezes mais
aspartato que uma quantidade equivalente de refrigerante adoçado com aspartame.
A quantidade de metanol em um copo de suco de tomate é seis vezes superior a do
mesmo volume de refrigerante.
Ensaios agudos, crônicos e subcrônicos em vários animais evidenciaram a
ausência de toxicidade e carcinogenicidade associado à ingestão do aspartame.
Em resumo: o aspartame não atua nos sistemas reprodutivos
e não apresenta efeitos mutagênicos, teratogênicos ou embriotóxicos, ou efeito
tóxico de qualquer natureza nas doses em que é utilizado ou recomendado.
De acordo com os especialistas da FDA não há qualquer evidência científica
que apóie uma ligação entre o aspartame e qualquer tipo de câncer. Em 2005, a
Fundação Européia Ramazzini publicou as conclusões de um estudo a longo prazo de
aspartame em ratos, concluindo que poderia causar leucemia e linfoma e que, em
função disso, a utilização do produtos deveria ser reavaliada.
Ao analisar os dados do estudo, a Autoridade Européia de Segurança
Alimentar concluiu que os dados do estudo não suportavam suas conclusões. A FDA
recebeu parte dos dados do estudo em fevereiro de 2006 e deverá anunciar suas
conclusões após o término da investigação. Considerando-se os dados disponíveis
até agosto de 2006, a FDA conclui pela segurança do uso do aspartame.
Em termos das diferentes apresentações de aspartame comercializadas no
Brasil, recomenda-se a ingestão diária máxima de até 10 gotas/Kg de peso
corpóreo dos produtos apresentados sob a forma líquida, para não se ultrapassar
a ingestão diária aceitável (IDA) de 40mg/Kg.
Temas posteriores: Sacarina, Acesulfame-K, Sucralose e Stévia.
|